segunda-feira, 9 de outubro de 2023

ANTÔNIO JOSÉ DE MOURA

 

ANTÔNIO JOSÉ DE MOURA,  natural de Natal-RN, foi sete vezes deputado provincial da Província do Rio Grande do Norte, de 1838/39 ao biênio 1850/51, quando faleceu. Segundo secretário da Assembleia Legislativa Provincial, em 1843/45. 1849 e 1850. E sempre metido nas comissões permanentes. Era um nome que devia possuir projeção e estima há mais de século.

Em  junho era de 1822 cadete do Batalhão de Linha em Natal.

Foi o primeiro comandante do Corpo Policial da Província do Rio Grande do Norte, atual Polícia Militar, a pedido, em 1838 pelo presidente Manuel Ribeiro da Silva Lisboa, por ter sido nomeado professor interino de Geometria no Atheneu a 19 de janeiro de 1838. Sua demissão do Corpo Policial seria para livrá-lo da incompatibilidade entre as duas funções porque quem o demite de oficial, nomeai-o o professor, No mesmo ano presta concurso e é nomeado efetivo, 11 de agosto desse 1838, governando o dr. João Valentino Dantas Pinajé.

Entra em 1838 para a Assembleia como Deputado e merece reeleição até morrer.

Era elemento da cidade, o homem eleito pelos eleitores de Natal em sua maioria, Significava a voz fiscal e peticionária na Assembleia. O seu valor pessoal correspondia a confiança, expressa na continuidade do mandato ininterrupto, durante 13 anos.

No Atheneu substituiu o professor Urbano Egide da Silva Costa, mestre de Geometria, e pai da poetisa e professora Izabel Gondim.

Antônio José de Moura morava na Rua da palha e gostava de serenata, de violão, de pequeninas festas domésticas. Seria evidentemente, um dos animadores sociais daquele tempo. Seu filho, de igual nome, era o rapaz mais elegante de Natal, despertando invejas e versinhos satíricos.

Nesse tempo, a 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, percorria as ruas um cortejo macabro. A morte, acompanhada de Diabos, lutava para apoderar-se das Almas, custodiadas por uma falange de Anjos. A morte assombravam a todo, espavorindo mulheres e meninos.

Essa procissão grotesca e tradicional terminou graças a um cachorro do deputado Antônio José de Moura. Quando o desfile passou, o cachorro estranhou a figura da Morte e disparou numa corrida feroz atrás do estafermo que, ameaçado pelos dentes brilhantes do animal, fugiu desesperadamente. Mas, estando em cima de andas para fingir a desmarcada altura, foi ao chão e o cachorro cobriu-a de dentadas.

Ninguém quis aceitar o papel da Morte com medo do cachorro da Rua da Palha.

Pediram providências mas Antônio José de Moura declarou estar orgulhoso de um cachorro que amedronta a própria morte. Ela que se defendesse.

Não repetiram mais o sombrio cortejo do dia de São Bartolomeu.

Antônio José de Moura faleceu em Natal a 24 de outubro de 1850,

FONTE – LIVRO “UMA HISTÓRIA DA ASSEMBLEIQ LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO NORTE, DE LUÍS DA CÂMARA CASCUDO

ANTÔNIO JOSÉ DE MOURA

  ANTÔNIO JOSÉ DE MOURA,   natural de Natal-RN, foi sete vezes deputado provincial da Província do Rio Grande do Norte, de 1838/39 ao biênio...