ANTÔNIO JOSÉ DE MOURA, natural de Natal-RN, foi sete vezes deputado
provincial da Província do Rio Grande do Norte, de 1838/39 ao biênio 1850/51,
quando faleceu. Segundo secretário da Assembleia Legislativa Provincial, em
1843/45. 1849 e 1850. E sempre metido nas comissões permanentes. Era um nome
que devia possuir projeção e estima há mais de século.
Em junho era de 1822
cadete do Batalhão de Linha em Natal.
Foi o primeiro comandante do Corpo Policial da Província do
Rio Grande do Norte, atual Polícia Militar, a pedido, em 1838 pelo presidente Manuel
Ribeiro da Silva Lisboa, por ter sido nomeado professor interino de Geometria
no Atheneu a 19 de janeiro de 1838. Sua demissão do Corpo Policial seria para livrá-lo
da incompatibilidade entre as duas funções porque quem o demite de oficial, nomeai-o
o professor, No mesmo ano presta concurso e é nomeado efetivo, 11 de agosto desse
1838, governando o dr. João Valentino Dantas Pinajé.
Entra em 1838 para a Assembleia como Deputado e merece
reeleição até morrer.
Era elemento da cidade, o homem eleito pelos eleitores de
Natal em sua maioria, Significava a voz fiscal e peticionária na Assembleia. O seu
valor pessoal correspondia a confiança, expressa na continuidade do mandato
ininterrupto, durante 13 anos.
No Atheneu substituiu o professor Urbano Egide da Silva
Costa, mestre de Geometria, e pai da poetisa e professora Izabel Gondim.
Antônio José de Moura morava na Rua da palha e gostava de
serenata, de violão, de pequeninas festas domésticas. Seria evidentemente, um
dos animadores sociais daquele tempo. Seu filho, de igual nome, era o rapaz
mais elegante de Natal, despertando invejas e versinhos satíricos.
Nesse tempo, a 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, percorria
as ruas um cortejo macabro. A morte, acompanhada de Diabos, lutava para
apoderar-se das Almas, custodiadas por uma falange de Anjos. A morte
assombravam a todo, espavorindo mulheres e meninos.
Essa procissão grotesca e tradicional terminou graças a um
cachorro do deputado Antônio José de Moura. Quando o desfile passou, o cachorro
estranhou a figura da Morte e disparou numa corrida feroz atrás do estafermo
que, ameaçado pelos dentes brilhantes do animal, fugiu desesperadamente. Mas,
estando em cima de andas para fingir a desmarcada altura, foi ao chão e o
cachorro cobriu-a de dentadas.
Ninguém quis aceitar o papel da Morte com medo do cachorro da
Rua da Palha.
Pediram providências mas Antônio José de Moura declarou estar
orgulhoso de um cachorro que amedronta a própria morte. Ela que se defendesse.
Não repetiram mais o sombrio cortejo do dia de São
Bartolomeu.
Antônio José de Moura faleceu em Natal a 24 de outubro de
1850,
FONTE – LIVRO “UMA
HISTÓRIA DA ASSEMBLEIQ LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO NORTE, DE LUÍS DA CÂMARA
CASCUDO